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NOSSA VISÃO - 02/12/2019

Retrospectiva

Em semana encurtada devido ao feriado de Ação de Graças nos EUA, as atenções se voltaram para a batalha comercial travada entre a China e os Estados Unidos, com sinais controversos entre avanços e recuos.

Na quarta-feira o presidente Donald Trump, que vem declarando intenção de assinar o acordo comercial em primeira fase, sancionou projeto de lei em apoio aos direitos humanos em Hong Kong, estado semiautônomo no território chinês. O Ministério de Relações Exteriores da China criticou a ação, afirmando em comunicado que esse movimento interferiu seriamente nos assuntos internos da China.

Nos EUA, foi divulgado pelo Departamento de Comércio em segunda estimativa que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu à taxa anualizada de 2,1% no terceiro trimestre, número acima da primeira prévia divulgada no mês passado, que estimava aumento de 1,9%, enquanto no segundo trimestre a economia norte-americana avançou 2,0%.

O Departamento do Trabalho dos EUA informou que o número de cidadãos que solicitaram auxílio desemprego caiu para 213 mil na semana encerrada em 23 de novembro, 15 mil a menos do que na semana anterior. Os pedidos haviam registrado máximas de cinco meses nas duas semanas anteriores, apontando para alguma fraqueza no mercado de trabalho.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial da China subiu de 49,3 em outubro para 50,2 em novembro, conforme divulgou o Escritório Nacional de Estatísticas do país. O resultado veio acima das expectativas que projetavam alta para 49,5. Também foi a primeira vez em sete meses que o indicador ficou acima de 50, o que indica expansão da atividade. Por sua vez, o PMI de serviços avançou para 54,4 em novembro, ante 52,8 registrados em outubro.

No Japão, foi divulgado que as vendas no varejo caíram 7,1% em outubro, na comparação com o ano anterior, acima das previsões que apontavam queda de 4,4%.  A queda foi reflexo do aumento da alíquota de imposto sobre as vendas, que saltou de 8% para 10% afetando, sobretudo os itens mais caros, como carros e eletrodomésticos, além de roupas.

Na zona do euro, foi divulgado pela agência Eurostat que o desemprego registrou queda em outubro, passando de 7,6% em setembro para 7,5%, o menor nível desde julho de 2008. Entre os 19 países que compõem o bloco, a Alemanha registrou desemprego de 3,1% e teve o menor índice. A maior taxa foi registrada na Grécia, de 16,2% conforme dados de agosto.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de alta. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, subiu 0,55% e o FTSE-100, da bolsa inglesa, avançou 0,27%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, valorizou 1,39% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, cresceu 0,78%.

Por aqui, foi divulgado que o Índice de Confiança de Serviços (ICS), medido pela FGV, subiu 1,4 ponto em novembro, para 95,0 pontos, maior nível desde fevereiro deste ano, influenciada pela melhora do otimismo do empresário. Em médias móveis trimestrais, o índice cresceu 0,9 ponto no mês.

Conforme divulgou o IBGE, a taxa de desemprego no país fechou em 11,6% no trimestre encerrado em outubro, ante 11,8% do trimestre anterior, e 11,7% em relação ao mesmo trimestre em 2018, e registrou 12,4 milhões de pessoas desocupadas. Já a população que trabalha sem carteira assinada continua batendo recorde, chegando a 11,9 milhões de pessoas.  Assim, a recuperação do mercado de trabalho no país continua lenta e marcada pela informalidade.

Para a bolsa brasileira a semana foi de ajustes. O Ibovespa recuou -0,42% na semana, acumulando valorização no ano de 23,15% e 20,93% em doze meses. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 4,241 na venda. Na semana, a moeda norte-americana valorizou 1,14%, em meio a declarações do ministro da economia, Paulo Guedes, de que o dólar tende a um patamar mais alto diante da redução estrutural da taxa Selic. Já o IMA-B Total encerrou a semana com desvalorização de -0,91%, acumulando ganhos no ano de 20,53%.

 

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro aumentaram, pela quarta semana consecutiva, a estimativa para o IPCA deste ano para 3,52%, registrando uma alta em relação às previsões da semana passada, que estava em 3,46%. Para 2020 a estimativa foi mantida em 3,60%. O resultado continua abaixo da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,25%, e do ano que vem de 4,00%.

Para a taxa Selic, o mercado financeiro manteve suas apostas em relação à taxa de juros, informando que ao final de 2019 a taxa estará em 4,50%, mesma taxa da semana anterior. Para 2020, a previsão também foi mantida em 4,50%. Para 2020, o Top 5, grupo formado pelas instituições financeiras que mais acertam as previsões, projeta a Selic em 4,00% ao ano.

A projeção do mercado para o PIB de 2019 se manteve nesta semana. A expectativa de crescimento da economia este ano é de 0,99%. Há quatro semanas, a estimativa de alta era de 0,92%. Para 2020, o mercado financeiro revisou a previsão de expansão do PIB para 2,22% ante 2,20% da semana anterior. Quatro semanas atrás, a expectativa estava em 2,00%. Em setembro, o Bacen atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2019, de alta de 0,8% para elevação de 0,9%.

A projeção para o dólar no fim de 2019 foi mantida em R$ 4,10. Para o próximo ano, a projeção para o câmbio foi ajustada de R$ 4,00 para R$ 4,01.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, a mediana das previsões para 2019 foi alterada para US$ 75,00 bilhões, ante US$ 77,00 da semana anterior. Há um mês, estava em US$ 80,00 bilhões. Para 2020, a expectativa foi mantida em US$ 80,00 bilhões, ante US$ 80,00 bilhões de um mês antes.

 

Perspectiva

Entre os principais destaques da agenda externa estará a divulgação do Relatório de Emprego dos EUA (Payroll, na sigla em inglês), que deverá confirmar a solidez da economia norte-americana, reduzindo espaço para cortes adicionais do juro pelo Federal Reserve (FED, na sigla em inglês). As previsões apontam para a criação de 190 mil novas vagas em novembro.

Por aqui, destaque para a divulgação do PIB do terceiro trimestre pelo IBGE. As estimativas apontam para um avanço de 0,1% em relação ao trimestre anterior.

Destaque também para a divulgação do IPCA de novembro, a ser revelado pelo IBGE na sexta-feira. As estimativas apontam para alta de 0,50%, com pressão vinda dos itens de energia, devido à bandeira tarifária, e combustível devido à alta nos preços dos derivados do petróleo.

As atenções permanecerão voltadas ao acordo comercial entre EUA e China, em meio às incertezas em relação à capacidade dos dois lados chegarem a bom termo. A China elege como prioridade para assinatura do acordo a retirada de tarifas existentes sobre produtos chineses, enquanto os EUA programaram para meados de dezembro nova rodada de tarifas adicionais de 15% para mais de US$ 150 bilhões em produtos da China.

Em relação às aplicações dos RPPS aconselhamos o investimento de 25% dos recursos em fundos de investimento em títulos públicos que possuem a gestão do duration, produto a ser acompanhado com a devida atenção por conta das posições assumidas pelo gestor.

Para os vértices de longo prazo (especificamente o IMA-B Total) recomendamos uma exposição de 10%.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total), a recomendação é para uma exposição de 25% e para os vértices de curto prazo, representados pelos fundos DI, pelos referenciados no IRFM-1 e pelos CDBs a alocação sugerida é de 10%.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento e as exigências da resolução CMN nº 3.922/2010 conforme alterada, é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo).

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição máxima de 30%, por conta da melhora do ambiente econômico neste ano, que já se refle em um melhor comportamento dos lucros das empresas e, portanto, da Bolsa de Valores e também pelo fato da importância do produto como fator de diversificação de portfólio, em um momento em que as taxas de juros dos títulos públicos não mais superam a meta atuarial.

Para a alocação em fundos multimercado a nossa sugestão é de 10% dos recursos e de 2,5% a alocação em FII e FIP, respectivamente, dada a pouca disponibilidade de produtos no mercado enquadrados para os RPPS. Para o investimento em ações, a nossa recomendação é de 15% dos recursos, tendo-se em vista o potencial de crescimento das empresas neste e nos próximos anos em uma conjuntura de baixa inflação e taxas de juros nas mínimas históricas. Muito embora ainda esteja no campo das expectativas, a implementação das reformas estruturais demandadas pelo mercado em muito também poderão influenciar o comportamento positivo das ações, no futuro.

Para aqueles clientes que já contam com investimento de 5% tanto em FII, quanto em FIP, recomendamos que o teto de investimento em ações se mantenha em 10%.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.


* Aos clientes que investem em FIDC / Crédito Privado / Fundo Debênture, utilizar como limite máximo o percentual destinado ao Médio Prazo.

** Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição de 15% aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários -29/11/19


Índices de Referência -Outubro/2019